2019/02/26

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Fev

/A chave para a sabedoria
é o questionamento/

Gostaria de começar este texto por dizer que tudo aquilo que planejo, trago a luz, mas seria uma pura mentira. Seria enganar me e nem sei o que ganharia com isso, aliás sei, um ego insuflado por 5 minutos e depois entraria em depressão.

Muitas vezes deparei me a questionar: Como sair do sufoco de eternamente planear e não partir para ação? Como não ficar frustrada quando as falhas durante o percurso de criação começam a manifestar-se?

As vezes a pressão de pretender que tudo flua de forma maravilhosa logo de início, estagna a energia, cria bloqueios e inseguranças.

Nestes momentos é fácil ficar vulnerável a emoções nefastas, entregar se ao desespero e consequentemente questionar as próprias habilidades.

 Aprendi arduamente e continuo a aprender que o alcance de certos objetivos requerem o seu tempo, assemelha-se a tentativa de cavalgar uma onda do mar. Não é logo a primeira que se acerta, existe uma fase de tentativa de equilíbrio, uma fase incerta, onde se cultivam as energias e o foco para agir, depois da fase instável se engrena a onda, encontra-se maior equilíbrio de forma consistente independentemente do resultado. Nestes momentos estar consciente e introspectivo é uma parte fundamental do processo.

Fazer as perguntas certas para obter as respostas certas e responder de forma honesta (insisto sempre nesta noção). O poder do questionamento é imensurável.

Como Peter Abelard afirmava: A chave para a sabedoria é o questionamento frequente, pois ao duvidar somos levados a questionar e ao questionar chegamos a verdade.

 A ideia da pílula mágica que tudo melhora do dia para noite é tóxica e deve-se ser honestos e repensar neste ideal. Julgo importante ser realistas de forma a não afogar nas ilusões que criamos para nós mesmos.

O questionamento ajuda a analisar e criar formas de materializar de forma magnética e radiante o próprio sonho, sendo sempre verdadeira/o com o Eu de forma a dar permissão para explorar mais as crises criativas, pois tudo faz parte do processo e com isso se ganha mais sabedoria.

 Perguntas como:

Porquê quero fazer isto?

Simplifico ou complico o processo?

O que preciso mudar na estipulação do objetivo?

Este objetivo é meu ou estou a assumir vontades e aspirações de outros?

Vivo em equilíbrio?

Estou a tomar as atitudes necessárias para alcançar os objetivos importantes para mim?

Mas quero realmente fazer isto?

Se não for uma vontade real, qual será a alternativa? O que realmente quero?

Será que isto me ajuda a ser aquilo que quero me tornar?

Estas questões são cruciais para uma melhor percepção de onde queremos ir e nos ajuda a tomar as medidas certas para pôr em pratica os objetivos estipulados e não entrar numa paralise de analise ou de ação.

Quando se tem objetivos específicos, mensuráveis, orientados no tempo e que ressonam com os nossos valores e a nossa identidade faz com que haja ação e permite reconhecer a beleza do processo.

 Por vezes dou-me tarefas desnecessárias que só enublam a minha visão das coisas que realmente preciso e quero fazer.

Ação vs estar em movimento

Para ter uma verdadeira relação com a criatividade, dou tempo para cuidar e cultivar a minha arte.

Desenvolver uma relação com os meus pinceis, libertar me da rigidez do controle da criação e deixar fluir a minha imaginação.

 Estar em movimento ou melhor, planear constantemente não traz resultados. Muitas vezes fica-se em movimento e não se parte para ação pois existe o medo de falir. Não digo que planear seja mau, é bom sim, mas quando se fica presos no abismo do planeamento cria-se paralisis analisis que é uma das emoções mais frustrantes que existem.

A ação é uma atitude que vai dar algum resultado, bom ou mau não interessa, o importante é agir de forma consciente e consoante os erros aprender e continuar a mover em frente.

Para viver uma vida criativa é preciso perder o medo de ser imperfeito ou de resultados imperfeitos. Perfeição não EXISTE!

O que se deve fazer é dar o melhor de nós mesmos em tudo que fazemos.

Em tudo aquilo que faço acho crucial dar o meu melhor, nem mais nem menos, simplesmente o meu melhor.

O meu melhor não é algo comparado com ninguém mas sim é entregar me as minhas tarefas criativas a 100% e com genuinidade.

Se eu fizer menos do meu melhor, sujeito-me a frustrações, auto crítica /julgamento, culpa, arrependimento e naturalmente detesto estes sentimentos.

 Quando não cumprimos com aquilo que estipulamos para nós mesmos perdemos a confiança no Eu e achamos que nunca seremos capazes de agir.

Mas é preciso recordar que tudo na vida é vivo e muda, neste caso o teu melhor ou o meu melhor não será a mesma coisa sempre…num momento o meu melhor pode ser espetacular e em outro pode ser menos.

Independentemente da qualidade, continuar a dar o melhor é importante, mas é preciso tomar atenção a não ir além para não esgotar a energia do corpo e da mente, pois será mais difícil alcançar o objetivo.

 A criação está preocupada com aquilo que ainda não nasceu /Relação comigo e com a arte no processo de criação

 Ser consciente de como comunico comigo para alcançar certos objetivos é importante. Não adianta no aparecer de uma adversidade, entrar em surtos de raiva, não ajuda no processo…. Todos os dias temos uma chance de fazer melhor.

Para ter uma verdadeira relação com a criatividade ou trabalho, temos que dar tempo para cuidar e cultivar, levar-nos a sério no processo.

A criação está interessada naquilo que ainda não nasceu. O pintor ou o criativo é como um jardineiro, maneja as sementes, não as produz, nem as faz perfeitas.

Uma forma interessante que uso para propulsionar energia no ato da criação/ação é a utilização de palavras com alta vibração energética, as palavras tem poder por isso tenho muita atenção como falo comigo mesma.

Se usarmos palavras mais densas e mais lentas conosco como competitividade, depressão, culpa, acusação e o “não sou capaz”, leva nos para baixo.

 Palavras poderosas e vivas que uso para reestruturar equilíbrio são: Fluir, ser capaz, ter a certeza. Adiciono vibração e sentimento, Construo um recipiente com estas palavras para poder fluir e ter permissão de agir e encontrar-me confortável na minha apreciação e permissão da minha ação.

Por este motivo, creio que seja importante não desesperar com as falhas de percurso.

É preciso desenvolver uma certa serenidade, refletir, e mais importante ainda é preciso questionar, nada melhor que questionar a importância e os nossos valores perante ao objetivo que se tem em mente.